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Eficácia do treinamento corporativo: onde o dinheiro some


Em 2025, as empresas americanas gastaram US$ 102,8 bilhões em treinamento e desenvolvimento. No mesmo período, 60% dos funcionários afirmaram que nunca receberam treinamento formal no trabalho.


Esses dois dados vêm da mesma base de pesquisa. E juntos, descrevem com precisão o maior problema da área de T&D hoje: a eficácia do treinamento corporativo não depende de quanto se investe, mas de como esse investimento é aplicado.


O paradoxo que os números revelam


Retenção é a principal preocupação das empresas em 2026. E oferecer oportunidades de aprendizado é, segundo 90% das organizações, a principal estratégia para reter talentos. O engajamento global, porém, caiu para 21% em 2024 — pelo segundo ano consecutivo, segundo o Gallup.


Algo não está fechando.


A SHRM publicou no fim de 2025 um artigo com um título que resume o estado da arte: "Training Is Dead. Long Live Real-Time Upskilling." A Training Industry alertou que programas de L&D correm risco crescente de serem cortados em 2026 — exatamente porque não conseguem demonstrar conexão com resultados de negócio.


Dinheiro não está faltando. O que está faltando é eficácia.


Por que a eficácia do treinamento corporativo é tão difícil de alcançar?

A resposta está em um modelo que o mercado conhece mas não segue: o 70-20-10.


Pesquisas consolidadas em aprendizagem organizacional mostram que:


70% do aprendizado acontece por experiência real no trabalho

20% acontece por interação com pares, mentoria e troca entre colegas

10% acontece por treinamento formal — cursos, módulos, plataformas


A maioria das organizações, porém, concentra seus recursos nesse 10%. Investe em e-learning, módulos de compliance, cursos que replicam a lógica passiva da sala de aula. E se pergunta por que os resultados não aparecem.


O problema não é a tecnologia. Não é a plataforma. Não é nem o conteúdo. É que o formato não corresponde à forma como as pessoas realmente aprendem.


Funcionários têm, em média, menos de 24 minutos por semana disponíveis para aprender — dado de Josh Bersin que virou referência na área. A maioria dos programas foi desenhada para sessões de horas ou dias inteiros. O resultado é previsível: conteúdo que ninguém termina, plataformas que ninguém abre, e a sensação de que treinamento é mais uma obrigação do que uma oportunidade real.


O que funciona — e por quê


As pesquisas de 2025 e 2026 convergem em um ponto: o treinamento que gera resultado é contextual, experiencial e conectado ao problema real do grupo.


Os dados são diretos:


Programas de aprendizagem entre pares aumentam a produtividade em 30% (McKinsey)

68% dos funcionários preferem aprender no próprio trabalho (Chanty/ATD, 2026)

Empresas com forte cultura de aprendizado têm 57% maior retenção — quase o dobro das com cultura moderada (LinkedIn Learning Report)

Gestores que recebem treinamento focado em coaching são 40% mais eficazes no desenvolvimento de suas equipes


A SHRM aponta que 89% das organizações reconhecem que desenvolver internamente é mais custo-eficiente do que contratar. O argumento financeiro existe. O que falta, na maioria dos casos, é o modelo que coloca isso em prática.


O gap entre intenção e execução


Um dado da SHRM resume o estado atual com clareza: 53% das empresas dizem que o desenvolvimento de pessoas é prioridade. Mas apenas 21% acreditam que estão fazendo isso de forma eficaz.


Esse gap não é de vontade. É de método.


A Training Industry descreveu essa transição com precisão: L&D precisa evoluir de "entregador de conteúdo" para "designer de experiências". Criar ecossistemas onde o aprendizado acontece no contato com o problema real — não antes ou depois dele.


Esse é o desafio central do treinamento corporativo em 2026. Não é uma questão de tecnologia, plataforma ou orçamento. É uma questão de formato.


Enquanto o mercado continua colocando dinheiro no modelo que responde por apenas 10% do aprendizado, os 90% mais poderosos — experiência real e troca entre pares — seguem subutilizados na maioria das organizações.


Se você soubesse que a maior parte do aprendizado da sua equipe depende da qualidade da experiência que você desenha para elas, o que mudaria no seu próximo programa de desenvolvimento?

 
 
 

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